Laudo contraria versão de médico e descarta hipótese de suicídio de fisioterapeuta em Campo Grande
Armas foram apreendidas pela polícia O Instituto de Medicina e Odontologia Legal de Mato Grosso do Sul (Imol-MS) concluiu o exame necroscópico sobre a morte d...
Armas foram apreendidas pela polícia O Instituto de Medicina e Odontologia Legal de Mato Grosso do Sul (Imol-MS) concluiu o exame necroscópico sobre a morte da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, encontrada morta em uma casa na Chácara dos Poderes, em Campo Grande, no dia 18 de maio deste ano. O laudo afasta a hipótese de que a vítima tenha tirado a própria vida. Desde a morte da fisioterapeuta, o caso caminhava por duas linhas de investigação: feminicídio ou suicídio. O principal suspeito, o médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, chegou a ser preso. Atualmente, ele está em prisão domiciliar e é monitorado por tornozeleira eletrônica. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Ao g1, o Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS) informou que ainda não ofereceu a denúncia sobre o caso. Confira a nota na íntegra ao final da reportagem. A defesa de João Jazbik Neto, representada pelo advogado José Belga Assis Trad, afirmou que aguarda "serenamente" a conclusão das investigações da polícia judiciária e que é falsa a informação de que o laudo necroscópico da fisioterapeuta teria descartado a hipótese de suicídio. A defesa também afirmou que o laudo necroscópico ainda não foi anexado aos autos do inquérito policial. Veja a nota na íntegra ao final da reportagem. O que diz o laudo? O g1 teve acesso ao documento que analisou o projétil encontrado na cabeça de Fabíola. Conforme o laudo, a vítima morreu em decorrência de um tramautistmo craniano provocado por disparo de arma de fogo. ➡️ O exame não identificou sinais de disparo a curta distância, o que contraria a hipótese de suicídio. O laudo relata que os peritos chegaram a essa conclusão após observar que não havia marca de cano da arma na vítima. Os peritos identificaram os pontos de entrada e saída do tiro, além de hematomas em outras partes do corpo da vítima. O laudo aponta que o disparo atingiu áreas vitais da cabeça e provocou ferimentos que impossibilitariam a sobrevivência. O que diz a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher Em nota, a Deam disse que nenhum laudo pericial conclusivo foi juntado até o presente momento aos autos e que a investigação está em fase ativa de instrução. "A Polícia Civil do Estado de Mato Grosso do Sul, por intermédio da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) diante de matérias veiculadas recentemente na imprensa a respeito do inquérito policial que investiga a morte da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, vem a público esclarecer que, ao contrário do que vem sendo noticiado, nenhum laudo pericial conclusivo foi juntado até o presente momento aos autos, de modo que as informações que afirmam a existência de laudo anexado e apontam conclusões não correspondem à realidade do procedimento. A autoridade policial informa que a investigação encontra-se em fase ativa de instrução, com a realização de oitivas de testemunhas e demais diligências necessárias para o esclarecimento dos fatos. Por fim, orienta-se que quaisquer informações relativas ao caso que não sejam transmitidas de forma oficial pela autoridade responsável ou pela Assessoria de Comunicação da Polícia Civil sejam analisadas com cautela, a fim de evitar a disseminação de dados e o tumulto ao andamento dos trabalhos, reafirmando o compromisso da instituição com a transparência e o rigor técnico." Relembre o caso A fisioterapeuta Fabíola Marcotti foi encontrada morta com um tiro na cabeça dentro de casa. O esposo da vítima, o médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, chegou a chamar a polícia e afirmou que a mulher teria tirado a própria vida. O caso aconteceu no dia 18 de maio deste ano. No dia seguinte, em 19 de maio, o médico foi preso em flagrante após a polícia encontrar armas sem documento na casa onde a morte aconteceu. Em 20 de maio, a prisão foi convertida para preventiva e João Jazbik Neto foi indiciado pelos crimes de posse irregular de arma de fogo e fraude processual. Desde a morte de Fabíola, o caso é investigado como feminicídio ou suicídio. O médico se tornou o principal suspeito. Conforme a delegacia, foram encontradas divergências entre os depoimentos prestados pelo médico, por suspeitos e por testemunhas. LEIA TAMBÉM Cardiologista é preso após polícia encontrar armas sem documentação em casa onde esposa foi encontrada morta em Campo Grande Polícia aponta divergências e abre inquérito para investigar morte de esposa de cardiologista em MS João Jazbik Neto teve prisão domiciliar concedida no dia 23 de maio, após a defesa entrar com habeas corpus. O médico responde pelo processo em liberdade e, conforme informado pelo advogado José Trad nesta quinta-feira (30), o ele segue sendo monitorado por tornozeleira eletrônica. O que diz o Ministério Público Em nota, o Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul informou que ainda não ofereceu a denúncia sobre o caso. Confira a nota na íntegra. "Em atenção à solicitação, informamos que, até o momento, a denúncia ainda não foi oferecida pelo Ministério Público, uma vez que o procedimento aguarda o encaminhamento de diversos laudos periciais, considerados necessários para a análise conclusiva dos fatos e eventual adoção das providências cabíveis. Assim que os laudos pendentes forem juntados aos autos e analisados, o caso terá o devido encaminhamento pela Promotora de Justiça responsável." O que diz a defesa de João Jazbik Neto "A respeito da informação divulgada pela mídia de que o laudo necroscópico da fisioterapeuta Fabíola Marcotti teria afastado a hipótese de suicídio, cumpre à defesa do Dr. João Jazbik Neto dizer que se trata de informação inverídica. Em primeiro lugar, porque laudo necroscópico não faz qualquer tipo de conclusão sobre os possíveis acontecimentos que levaram a uma determinada lesão, limitando-se a descrever as lesões encontradas no corpo examinado. Em segundo lugar, porque não há qualquer laudo necroscópico juntado nos autos do inquérito policial, estranhando a defesa a divulgação desse tipo de informação enviesada e sensacionalista. A história é testemunha de que a publicidade opressiva não tem compromisso com a verdade, nem com o direito da pessoa a um processo justo e a um julgamento imparcial. Por fim, a defesa registra que aguarda serenamente a conclusão dos trabalhos da polícia judiciária e reafirma sua posição, amparada em fatos, em critérios lógico-racionais e em testemunhos isentos, de que se trata de uma hipótese de suicídio." Fabíola Marcotti foi encontra morta dentro de casa em maio deste ano, em Campo Grande. Redes sociais/Reprodução Veja vídeos de Mato Grosso do Sul: