Vídeo mostra tatu-canastra cavando toca durante o dia em MS; veja momento raro
Vídeo mostra tatu-canastra cavando toca durante o dia em MS O avistamento raro de um tatu-canastra surpreendeu trabalhadores rurais em Mato Grosso do Sul. O an...
Vídeo mostra tatu-canastra cavando toca durante o dia em MS O avistamento raro de um tatu-canastra surpreendeu trabalhadores rurais em Mato Grosso do Sul. O animal foi filmado enquanto cavava uma de suas tocas durante o dia, um comportamento incomum para a espécie, que tem hábitos predominantemente noturnos. Veja o vídeo acima. As imagens são impressionantes, já que os encontros a luz do dia com tatus são raros. O motorista José Guilherme Oliveira estava em uma viagem de trabalho pela MS-040, na região de Ribas do Rio Pardo, quando avistou um tatu-canastra. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Ele parou o veículo e gravou um vídeo do animal para publicar nas redes sociais. Em pouco tempo, a gravação ultrapassou 130 mil visualizações. Ao g1, a esposa de José, Ana Rayssa Geronimo, contou que o casal ficou surpreso com a repercussão. “Ele filmou porque foi a primeira vez que viu um tatu-canastra pessoalmente. No perfil dele, o vídeo já ultrapassou 138 mil visualizações.” Sobre a espécie O tatu-canastra é o maior tatu do mundo. O animal pode pesar até 50 quilos e medir cerca de 1,60 metro de comprimento. Além do tamanho, a espécie tem papel importante para o equilíbrio ambiental e é considerada essencial para a conservação dos ecossistemas. Atualmente, o tatu-canastra é classificado como vulnerável à extinção e corre risco de desaparecer em partes de Mato Grosso do Sul e de outros países da América do Sul. Avistamento raro de um tatu-canastra surpreendeu trabalhadores rurais em Camapuã Arquivo Pessoal 'Engenheiro do ecossistema' O tatu-canastra também é conhecido como "engenheiro do ecossistema". O apelido foi dado por pesquisadores porque as tocas escavadas pelo animal beneficiam diversas espécies. O biólogo Gabriel Massocato, coordenador das ações de campo do Projeto Tatu-canastra no Pantanal, explica que essas galerias funcionam como abrigo para diversas espécies do Pantanal e do Cerrado, protegendo os animais das variações de temperatura. "Os animais buscam se refugiar embaixo de uma sombra, mas, quando encontram uma toca de tatu-canastra, podem se abrigar na areia fresca em frente à entrada ou nas profundezas da toca, onde a temperatura permanece estável em torno de 24°C", explica. O termo "engenheiro do ecossistema" é usado para espécies que modificam o ambiente e ajudam outros animais por meio das estruturas que constroem. Segundo Massocato, as tocas costumam ser abertas em áreas de floresta, onde a temperatura já é mais amena. Elas têm cerca de 1,5 metro de profundidade e podem chegar a 4 metros de comprimento, alcançando camadas mais frias e úmidas do solo. Isso ajuda a manter a temperatura estável durante todo o ano. Nos dias frios, as tocas também ajudam a conservar o calor. Segundo pesquisadores, essa estabilidade de temperatura foi confirmada após a instalação de termômetros no interior das galerias. "As tocas são tão grandes que a entrada pode ter quase o dobro da circunferência da cabeça de uma pessoa. Dependendo do tipo de solo e da idade da toca, essa abertura pode aumentar naturalmente", afirma o pesquisador. Como outros animais se beneficiam? No Pantanal, um tatu-canastra escava, em média, uma nova toca a cada três dias. Com o tempo, o animal forma uma rede de abrigos em um território que pode chegar a 2.500 hectares. "O tatu precisa mudar de toca para buscar alimento, fugir de predadores e se reproduzir. As galerias abandonadas acabam servindo de abrigo para outras espécies", explica Massocato. Levantamentos do Projeto Tatu-canastra já registraram mais de 100 espécies de vertebrados e cerca de 300 espécies de invertebrados usando essas tocas. Jaguatiricas, cachorros-do-mato, roedores, aves, serpentes e anfíbios usam as galerias para se proteger do calor e do frio. Já animais maiores, como tamanduás-bandeira e queixadas, costumam descansar na areia fresca em frente às tocas, aproveitando a sombra das árvores. Além de servirem como abrigo, as tocas também funcionam como áreas de alimentação. Muitos insetos vivem nesses locais e atraem diferentes predadores. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul